Mensagem do dia

Estude! Saber é o maior diferencial que existe!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Desejos para 2012




Que em 2012 as pessoas amem mais e sofram menos por causa de outras. Que entendam que há sempre um caminho para felicidade, mesmo que o que as leve para lá não seja aquele trajeto tão cuidadosamente planejado. Que descubram, no novo e por vezes improvisado caminho, o riacho límpido que perderiam se não houvesse o desvio feito a contragosto. E que não destruam o caminho caminhado, pois foi ele que lhes trouxe até aqui.


Que em 2012 possamos dar continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo no nosso espaço profissional. Há uma sede desértica e uma fome de mudança africana por mudanças qualitativas na sociedade. Que possamos nos regozijar com uma esperada justiça social – regozijar também é uma palavra linda.


Que em 2012 quem se perdeu se ache. Quem se achar, se curta. Quem se curtir, que sonhe. Que use como barômetro da vida não as pequeninas coisas do dia a dia, as más e mesquinhas, mas as pequeninas coisas do dia a dia, as boas e agradáveis. Que, assim, nosso bem-querer e nossa disposição em viver nossa vida, única e nossa, beijem a boca e despertem do sono a Pollyana bela e adormecida que existe em cada um de nós. Robertocarlianamente, é preciso saber viver. Sonhar não custa nada, frase trivial e tão verdadeira. É da trivialidade que surgem os geniais insights. Devemos olhar com cuidado o comum que nos cerca, pois ele guarda surpresas inimagináveis e mudanças de vida impensáveis.


Que em 2012 as inevitáveis lágrimas que rolarem em nossas faces sirvam para enxágue da alma. Que sirvam para limpar os olhos dos travos de amargura que porventura tenham tocado a boca de nosso espírito. Que as lágrimas vertidas sirvam para regar o verde do jardim de nossa alma, por vezes cinzentas. A dor é o maior aprendizado do ser humano. Sempre haverá algo a doer. Quanto mais cedo reagimos e aprendemos a domesticá-la, mais cedo creio que seremos mais serenos e lépidos diante das drummondianas pedras no meio do caminho.


Que em 2012 novas pessoas especiais surjam em nossas vidas. A cada ano, acredito, um bom punhado delas é colocado a dedo no traçado de nossa existência com alguma missão que só muito mais tarde descobriremos. Ou não. Pessoas que simples e profundamente nos fazem bem. Pessoas cujo simples cruzar de olhar já dá um tom especial à melodia do nosso dia até então desafinado. Pessoas que fazem o coração jovializar surpreso e agradado ao vê-las inesperadamente e que levam esse mesmo coração a esperar ansioso pelo próximo encontro. Pessoas que atrasam nossas programações mais mundanas por conta de suas inestimáveis companhias, quase divinas. Pessoas especiais a quem nossa linguagem chama autonomamente de amigas, independente do tempo de convívio. Pessoas como essa em quem você está pensando agora.


Que em 2012 as velhas mágoas se aposentem e vão curtir a vida em qualquer outro lugar. Que abram vaga nova no coração, onde nunca deveriam ter ocupado assento. Que em seus lugares, alegrias joviais e cheias de gás, recém-nascidas ou formadas, assumam e sintam o prazer em servir doses sem medida de paciência, tolerância e carinho em relação aos que nos circundam.


Que em 2012 aquele velho amigo que se pôs distante ponha-se achegado. Que as gargalhadas e risadagens compartilhadas e registradas no amarelado álbum do tempo, e suspensas pelos rumos da vida, retomem seu viço e seu som estridente de então, quando lágrimas corriam soltas lavando a alma de felicidade. Uma amizade resgatada é como uma nota de cinquenta achada no bolso daquela bermuda que há muito a gente não usa: alegra e permite a retomada de planos. E que também aquele amigo que se porá distante no ano que entra não se desachegue. Que vá, mas fique, deixando sua presença fraterna no lugar de sua presença física. Deixando seu cheiro em nossa alma para a lembrança eterna.


Que em 2012 aquele velho projeto secreto tenha sua vez. Ele sempre esperou quietinho por ela. Chegou a hora. Desengavete-o!


Que em 2012 seja o Ano Internacional do Reencontro. Reencontro consigo, com seus amigos, com sua família. Reencontro com aqueles de quem nos desencontramos por causa da teia dos acontecimentos cotidianos. Reencontro com aqueles de quem nos perdemos no tumulto da multidão dos fatos. Reencontro com nossos valores mais pueris de solidariedade, afetividade e humildade. Reencontro com Deus, grande maestro do show da vida e de vida que nos cerca.


Que 2012 seja o ano da virada. Seja lá qual for essa virada. Desde que seja para melhor. Que seja o ano do recomeço, seja lá o que for que precise ser recomeçado. Rupturas virão, ao certo, mas novos laços imediatamente surgirão para não deixar o entremeado tecido da vida roto e maltrapilho. A roupa que veste a vida espelha a aura que reveste a alma. E vice-versa.


Que 2012 seja o ano da coragem. Da coragem de rever autocriticamente nossas pisadas de bola e nossas mancadas, sem punições ou autoflagelos. Quem não dá testadas nessa vida de quando em vez? Que sejam momentos de introspecção positiva. Momentos de rever nossos planos, conceitos e preconceitos daninhos. Coragem para, tudo revisto, assumir posturas claras. Coragem para não esquecer que ninguém é eterno e que a vida é efêmera como uma florzinha no campo. Exatamente por isso não vale a pena ficar ruminando em cima daquela questiúncula miudinha e pequena. Coragem para dizer diretamente o que tem a ser dito, mas de forma tranqüila, serena e verdadeira, como só os corajosos sabem fazer. Os fracos de alma sentem a necessidade de dizer por terceiros, de mandar recados. Aliás, não é necessidade: é falta de opção. É a única forma que sabem fazê-lo. Então, que aprendam outras formas em 2012.


Que em 2012 aquele dia anual de cabeça quente sirva para aquecer o coração. Explodir para quê? Que o calor da cabeça gere energia termoelétrica para processar as perguntas sem respostas, refletir a vida, refletir as tomadas de rumos, refletir os novos momentos e sua significação. Refletir a reflexão. Dormir antes de decidir.


Que 2012 seja um ano de tolerância. Que se perceba que as pessoas são diferentes e que nessa diferença reside a beleza de uma relação. Mapear o amor que sentimos e que funda nossa relação com os outros é uma das tarefas mais primordiais e gostosas de qualquer relação. É bom demais construir nossa história, riscar nossos corações nas árvores dos fatos, nas calçadas da mente. E lembrar, sem dramas, que cada um às vezes precisa de um minuto sozinho no seu cantinho. Não é nem preciso verbalizar essa necessidade para o outro. O amor proficiente no amor aprende a ler silêncios, textualizar olhares, significar sorrisos e gestos. Enfim, compreende a necessidade de transcender as palavras enunciadas. O não-dito grita o que as palavras calam.


Que em 2012 aquele velho conselho de Victor Hugo prevaleça: tenha dinheiro, mas não esqueça quem manda em quem. Dinheiro é conseqüência e não meta. Pense nisso, mas não se desvalorize enquanto profissional. A felicidade no trabalho é elemento importante para o equilíbrio da felicidade global, mesmo que por vezes ela pareça encurralada por desânimos e sensações de imobilidade. Os ritmos das pessoas para a cadência da vida são diferentes: alguns sambam, outros valsam. Alguns bregam com Michel Teló, outros viajam na mais deliciosa MPB. Ninguém muda tudo, mas alguma coisa se muda. Concentre-se nesse alguma coisa e toque a canoa que o chibé lhe espera.


Que em 2012 as pessoas façam algo que nunca fizeram. Ou porque não gostam ou porque não tiveram chance. Que descubram nessas coisas diferentes um prazer diferente. Que tomem Guaraná Baré, comam tucumã no pão, bife com ketchup. Que criem coragem para provar Yaksoba e berinjela. Que assistam filmes do Almodóvar , experimentem uma bala de araçá-boi. Que se desapoquentem ouvindo Jorge Aragão ou Carpenters. Que assistam ao Domingão do Faustão e se deliciem com aquelas velhas videocassetadas de dez anos atrás. Que tome um delicioso banho de chuva a dois ao som de “Que maravilha”, cantada pelo Toquinho. Que leia um livro à cama, trocando calorzinho pelos pés que se chamegam por baixo do edredom. Que comam o doce abio e riam juntos do beijo de boca grudenta que a fruta proporciona. Que riam dos outros e, acima de tudo, riam de si. Aprender a ri de si é fundamental.


Que em 2012 a saudade venha e venha forte. Só sente saudade quem viveu intensamente. Que haja vida intensa no ano que rebenta. Que essa intensidade não signifique assoberbamento, mas compactação, viçosidade e viscosidade ao vinho da celebração aos fatos. Que brindemos à vida sem ficar de porre, mas apenas levemente felizes.


Que 2012, enfim, seja seu ano. Ao desejar um 2012 maravilhoso, peço a você que me lê para não esquecer algo fundamental: de bater um papo com Deus nas suas mais diversas formas. Sempre faz bem.


Meu último, mas nem por isso menos importante, desejo é o de que em 2012 minha lista de desejos tenha apenas uma frase: um 2012 igual a 2011: feliz. Aliás, feliz é uma palavra muito linda.


Sérgio Freire


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Preconceito

Preconceito é uma postura ou idéia pré-concebida, uma atitude de alienação a tudo aquilo que foge dos “padrões” de uma sociedade. As principais formas são: preconceito racial, social e sexual. 

O preconceito racial é caracterizado pela convicção da existência de indivíduos com características físicas hereditárias, determinados traços de caráter e inteligência e manifestações culturais superiores a outros pertencentes a etnias diferentes. O preconceito racial, ou racismo, é uma violação aos direitos humanos, visto que fora utilizado para justificar a escravidão, o domínio de alguns povos sobre outros e as atrocidades que ocorreram ao longo da história. 

Nas sociedades, o preconceito é desenvolvido a partir da busca, por parte das pessoas preconceituosas, em tentar localizar naquelas vítimas do preconceito o que lhes “faltam” para serem semelhantes à grande maioria. Podemos citar o exemplo da civilização grega, onde o bárbaro (estrangeiro) era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época. Atualmente, um exemplo claro de discriminação e preconceito social é a existência de favelas e condomínios fechados tão próximos fisicamente e tão longes socialmente. Outra forma de preconceito muito comum é o sexual, o qual é baseado na discriminação devido à orientação sexual de cada indivíduo. 

O preconceito leva à discriminação, à marginalização e à violência, uma vez que é baseado unicamente nas aparências e na empatia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu sou uma boa pessoa?



Entre a leitura do título e dessa primeira linha, o leitor já teve tempo de responder: “Sim, é claro que sou uma boa pessoa”. Mas a dúvida ainda persiste, pois ainda não foi ver outros artigos desse site. Após pensarmos que somos de fato “boa gente”, temos a tendência de nos justificarmos mentalmente, dar razões: “Eu gosto de animais” ou “Se eu pudesse acabar com a fome no mundo...”. Todas essas razões não são propriamente racionais. Explico-me. São sentimentos. Bons sentimentos, é claro, mas não é o sentimento que faz alguém ser bom.

Os sentimentos são paisagens da alma. Informam-nos se o tempo dentro de nós está com nuvens ou ensolarado mas, com freqüência, não têm tanta relevância nas nossas decisões do cotidiano. Na nossa sociedade está disseminada a idéia de que é o sentimento que conta. Claro que os sentimentos são importantes na nossa vida, pois atesta um problema psicológico responder com maus sentimentos às boas coisas que nos acontecem. O problema é que os sentimentos passam, o que mostra o nosso pouco controle sobre eles. Podemos acordar de mau humor sem motivo algum, podemos acordar com dor de cabeça e ver o mundo como uma dor de cabeça e assim por diante. Para serem benéficos, os sentimentos precisam ser pensados. Foi o que fizemos no início desse artigo. À pergunta “sou uma boa pessoa?”, vimos que a resposta foi afirmativa. Mas isso não passou de uma sensação, um certo sentimento de benevolência para conosco. Como seres racionais que somos, vimos que precisamos justificar os motivos de termos esse juízo a nosso respeito.

O problema é que comumente buscamos a razão onde ela não está. O fato de uma pessoa gostar ou não de cachorros não determina se ela é uma boa pessoa. Se é cruel com animais, é um mau indício, claro. O que torna uma pessoa boa são as suas ações que a fazem ser o que a ética clássica chamava virtuoso, que é pessoa boa por excelência, pois pratica atos bons. Em Ética a Nicômacos , diz o filósofo Aristóteles: “Não será pequena a diferença se formarmos os hábitos de uma maneira ou de outra desde nossa infância; ao contrário, ela será muito grande, ou melhor, ela será decisiva” (1103b). A virtude não deixa de lado os sentimentos, não é “insensível”, mas os dirige para o fim que escolhemos para a nossa vida. Ser virtuoso e sensível, portanto, é plenamente compatível. Ser bom, portanto, é o mesmo que ser virtuoso, que é o mesmo que ser feliz. Por quê? Porque a pessoa virtuosa é aquele que tem domínio de si e não se deixa arrastar pelos ventos do instante, mas constrói a sua personalidade sobre a rocha do caráter.

Coisas que fazemos





Tenho como certo que constituímos um mistério completo para os nossos filhos. Se fossem capazes de exprimir em palavras a perplexidade que os assalta tantas e tantas vezes, haviam de nos dizer coisas engraçadas... se não gostassem tanto de nós, talvez nos dissessem palavras que haviam de nos fazer corar. Ou talvez nos mandassem dar uma volta.

Talvez nos mandassem... crescer. É que não encontram uma lógica na forma como os tratamos. Ficam baralhados quando, depois de os termos conduzido a um certo estilo de vida, exigimos deles um comportamento exactamente oposto a esse estilo de vida.

E o pior de tudo é que têm razão. Exatamente toda a razão. A lucidez de que dispõem será infantil ou adolescente, mas ainda é lúcida. E nós já não somos muito lúcidos. Vejamos um exemplo de coisas que fazemos.
O menino lá em casa não faz a sua cama de manhã. Não prepara ele próprio a roupa para vestir no dia seguinte. Não arruma o seu quarto. Não prepara o seu lanche. A mãe tem um gosto todo maternal em realizar por ele essas tarefas.

Há anos que isto se passa assim, o que produz um estilo de vida.

E, depois, o pai vai levar o menino à escola, mesmo que, indo a pé, demorasse apenas dez ou quinze minutos. É que a chuva, e os atrasos, e o peso da mochila, e o perigo de atravessar a estrada... E, se for na grande cidade, os assaltos... Já uma vez roubaram um relógio do primo dele.

Há anos que isto se passa assim, o que produz um estilo de vida.

E, depois, o menino, além de não tratar das suas coisas, também não é envolvido nas tarefas comuns da casa. Porque, se puser a mesa, de certeza que quebra pelo menos um copo. Porque não é de grande ajuda se for preciso pregar um quadro na parede. Porque se sujaria se ajudasse na pintura da sala; e seria preciso, além do mais, andar a tomar conta dele. Porque está muito frio para ser ele a colocar o saco do lixo lá fora...

Há anos que isto se passa assim, o que produz um estilo de vida. Hoje em dia, não mexe um dedo nem sequer para colocar uma cadeira no lugar. Consome as coisas que aparecem feitas, e é capaz de resmungar se não lhe lavaram bem uns tênis, ou se o jantar se atrasou.

Entretanto, chega uma altura em que os pais ficam alarmados. Assustamo-nos quando as coisas chegam a um certo ponto. Quando nos parece que ele está a ficar muito infantil, pouco maduro para a idade. Ficamos em pânico quando o menino teve uma quebra grande no rendimento escolar. Insistimos então com ele para que estude, para que seja responsável na sua vida escolar...

Mas sucede que a responsabilidade não nasce senão depois de se ter cultivado cuidadosamente, demoradamente, a semente da responsabilidade. Passamos anos a fomentar no menino um estilo de vida irresponsável, e agora, de repente, exigimos-lhe que seja responsável? Passamos anos a paparicá-lo, e agora queremos que seja maduro? Para ele ser maduro, teria sido necessário que tivesse vivido: que tivesse passado experiências diversas, que tivesse enfrentado obstáculos, que tivesse feito coisas sozinho, que tivesse errado e emendado depois os erros, que se tivesse aperfeiçoado à custa de esforço pessoal. E nós temos feito tudo para lhe evitar esses obstáculos, essas experiências e esse esforço.

É claro que, quando chega a altura em que precisa mesmo de estudar, porque as matérias se tornaram mais difíceis, não é capaz de o fazer. Pois é natural que - não tendo sido habituado ao esforço de fazer a cama, de ir a pé para a escola, de pôr a mesa... - não seja capaz do esforço de estudar, que é maior do que os outros.

É escusado levar o menino ao psicólogo. É escusado pensarmos que o problema está em que não sabe estudar, em que desconhece as técnicas de estudo. O problema dele são... os pais. Exatamente.
Seremos capazes de mudar?


Paulo Geraldo - recebido do site Aldeia - http://aldeia.no.sapo.pt

Olhar de Despedida



Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O segredo da felicidade- A educação da emoção



Leve seus filhos a encontrar os grandes motivos para serem felizes nas pequenas coisas.
Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer.
Uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas.
Uma pessoa profunda sente prazer nos fenômenos aparentemente imperceptíveis:
no movimento das nuvens,
no bailar das borboletas,
no abraço de um amigo,
no beijo de quem ama,
num olhar de cumplicidade,
no sorriso solidário de um desconhecido.

Felicidade não é obra do acaso.
Felicidade é um treinamento.
Treine suas crianças para serem excelentes observadoras.
Saia pelos campos ou pelos jardins, faça-as acompanhar o desabrochar de uma flor e descubra, juntamente com elas, o belo invisível.
Sinta com seus olhos as coisas lindas que estão ao seu redor.
Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota do caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos.
As crianças serão felizes se aprenderem a contemplar o belo nos momentos de glória e de fracassos, nas flores das primaveras e nas folhas secas do inverno.

Eis o grande desafio da educação da emoção!
Para muitos, a felicidade é loucura dos psicólogos, delírio dos filósofos, alucinação dos poetas.
Eles não entenderam que os segredos da felicidade se escondem nas coisas simples e anônimas, tão distantes e tão próximas deles.







terça-feira, 24 de maio de 2011

Como os Bebês Realmente Aprendem a Falar:

Você certamente já ouviu que, quando estão aprendendo, crianças são como esponjas; Eles absorvem tudo. Mais ainda, aprendem através da imitação! Não há como ser de outra forma; só podemos aprender imitando!
Nas primeiras seis semanas de um bebê, ela começará a reconhecer quem é sua mãe; será estimulada pelos sons mais altos e audíveis, e escutará as vozes das pessoas mais próximas.

Durante os três primeiros meses de uma criança, ela aprenderá a sorrir; mostrará interesse pelas coisas à sua volta, se divertirá observando o rosto das pessoas, e começará a acompanhar o movimento de coisas ou pessoas com seus olhos.
Assim não é surpresa, que os bebês aprendam os fundamentos da linguagem durante seus primeiros nove meses; mesmo que eles não falem palavra alguma.

A Atividade a seguir, é um bom exemplo de como você pode ajudar seu bebê a desenvolver as bases elementares da linguagem.

Esconde-esconde na Banheira

Como vamos precisar de um personagem fictício para descrever nossa atividade, Este será uma menina que vai se chamar Vitória.

Vitória está em sua banheira batendo na água com as duas mãos. Sua Mãe ou Pai, está sentado ao lado da banheira, cuidando de sua segurança.

"Vitória, Vitória," se diz enquanto se pega uma toalha de banho.

"Você está pronta para nossa brincadeira especial?"

Vitória olha para cima e vê o sorriso estampado no rosto do adulto ali presente. Ela sorri para ele e dá uma gargalhada.

Ele diz: "Vamos brincar de Cadê-você," e coloca a toalha na frente do seu rosto, de modo a escondê-lo dela.

Vitória estende a mão e toca no alto da cabeça dele.
O adulto diz, "Cadê-você, Vitória, não consigo ver você."

Ele baixa um pouco a toalha de modo que seus olhos fiquem à vista. Vitória dá um grito de alegria.

Ele cobre seus olhos outra vez e diz, "Cadê-você, Vitória... ainda não consigo ver você."
O Adulto pega a toalha e leva na direção dela dizendo, "Agora é sua vez Vitória."



Ela pega a toalha e coloca-a na frente do seu próprio rosto, imitando-o.

O adulto então dirá: "Onde está Vitória?"



Vitória derruba a toalha na banheira deixando-se ver, e bate com as mãos agitando a água. Ela balbucia para o adulto: "Dadadada. Dabababa."

Ele diz, "Acho que você está dizendo que está cansada de brincar de Esconde-esconde. Vamos brincar com seu Patinho e sua esponja?"

Como muitos bebês, Vitória está aprendendo sobre linguagem, da seguinte forma:

Ela sabe que é divertido brincar com outra pessoa.

Ela levanta os olhos quando o adulto diz o seu nome.

Ela sorri quando o adulto sorri para ela.

Eis como o responsável pela criança, ajuda no desenvolvimento de sua linguagem:

Falando com ela durante uma atividade diária - Que pode ser A hora do banho;

Dizendo seu nome várias vezes, de modo que ela se familiarize com o mesmo e aprenda a reconhecê-lo quando alguém o pronunciar;

Repetindo várias vezes a brincadeira, e então encorajando ela quando diz, "agora é a sua vez de jogar!"

Respondendo aos seus balbucios como se soubesse o que ela está dizendo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fatos e mitos sobre a síndrome de down

Apesar dos grandes avanços em relação ao estudo e compreensão da síndrome de Down, séculos de ignorância fomentaram uma série de conceitos equivocados sobr eo assunto.
Mesmo a presença de mais pessoas com Down em escolas, ambientes de trabalho e social, idéias antiquadas e desatualizadas sobre a condição ainda circulam entre o resto da população.
Eis aqui alguns dos mitos que ainda cercam as pessoas que nasceram com a trissomia 21, nome científco desta anomalia.

As crianças com Down são mais boazinhas que as outras.
Não é verdade. Muitas crianças com a síndrome são incentivadas a sorrir e a abraçar as pessoas de uma forma exagerada. Muitos indivíduos são mais simpáticos que outros mas muitos pais encorajam os filhos a se encaixar no estereótipo.

A maioria das crianças com síndrome de Down nasce de mulheres mais velhas.
Não é verdade. Apesar de as chances de gerar um bebê com Down serem maiores à medida em que a mulher envelhece, principalmente a partir dos 35 anos, cerca de 80% dos que nascem com a trissomia 21 são filhos de mulheres mais jovens. Isto seria explicado por uma combinação de fatores como o maior índice de natalidade das mulheres mais jovens e por elas não fazerem com tanta frequencia a amniocentese, exame que pode detectar a possibilidade de o bebê ter a trissomia 21.

A síndrome de Down é uma doença.
Não é verdade. As pessoas que nascem com a trissomia 21 não são doentes, nem vítimas e nem “sofrem” desta condição. O certo é dizer que a pessoa “nasceu” ou “tem” síndrome de Down.
As pessoas que nascem com a síndrome de Down morrem cedo.
Não. Cardiopatias congênitas não diagnosticadas no passado, e que afetam um em cada três bebês que nascem com Down, além de uma tendência à baixa imunidade e problemas respiratórios eram a principal causa da morte prematura das pessoas que nasciam com a trissomia 21. Hoje, graças à medicina moderna aliada a atenção dos pais, os portadores da síndrome têm uma expectativa média de vida de, pelo menos, 60 ou 70 anos.
Uma pessoa que nasce com Down é incapaz de andar, comer e se vestir sozinha?
Não. Apesar de muitas pessoas com síndrome de Down viverem sozinhas e levarem uma vida semi-independente, ainda há médicos que anunciam, assim, para os pais, a chegada de uma criança com Down.
Os portadores da Síndrome de Down podem ter relacionamentos?
Eles são perfeitamente capazes de formar todos os tipos de relacionamentos em suas vidas, seja de amizade, amor ou de antipatizar com alguém.
É verdade que a síndrome de Down é mais comum entre brancos?
Não, esta anomalia genética atinge igualmente a brancos, negros e asiáticos.
Homens e mulheres com síndrome de Down podem ter filhos?
Podem, sim. Há muitos registros de mulheres com Down que tiveram filhos e, nesse caso, as chances de terem filhos com trissomia 21 é de 35% a 50% maior. Há dois casos registrados de homens com Down que se tornaram pai. Mas as informações sobre a fertilidade deste grupo é muito desatualizada pois é baseada em pesquisas em instituições onde homens e mulheres com Down eram mantidos separados uns dos outros.
Todas as pessoas com síndrome de Down vão desenvolver o mal de Alzheimer?
Não. Apesar de muitos apresentarem sinais de demência a partir dos 40 anos, isso não é inevitável. Os estudos indicam que o índice de demência entre os que nascem com Down é o mesmo do que no resto da população mas acontece 20 ou 30 anos mais cedo.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Feliz páscoa a todos!!

Em minha cesta de Páscoa, você encontrará muitos desejos para o amor e a felicidade, para a saúde e a prosperidade, para a sabedoria e o conhecimento, e para o prazer e o relax.

Desejo a você saúde, felicidades, alegria, equilíbrio, harmonia e que consiga ir além das etapas ordinárias e descubra resultados extraordinários.

Que continue tentando alcançar suas estrelas. Que realize seus sonhos.

Que reconheça em cada desafio a oportunidade, e seja abençoado com o conhecimento de que tem a habilidade para fazer cada dia especial.

Que tenha bastante riqueza para atender suas necessidades, e sempre lembre que o tesouro real da vida é o amor.

Agradeço o seu carinho e agradeço por todas as maneiras que somos semelhantes e todas as maneiras que somos diferentes.

Agradeço a Deus, do fundo do coração, com um sorriso interno que eu desejaria que todos pudessem ver... A Ressurreição do Mundo. Pois ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos... (João 20:9).

Pela lei fundamental da natureza, todas as coisas se renovam constantemente, cumprem um ciclo e se renovam.

Deus deu-nos as estações - cada uma com suas próprias belezas e razão, cada uma significando uma benção, uma alegria, e o sentimento do amor.

Deus deu-nos sonhos - cada um com seu próprio segredo, cada um emitido para dar-nos sentimentos de inspiração, esperança, e tranqüilidade.

Deus deu-nos a luz do sol, o arco-íris e a chuva, a beleza e a liberdade da natureza para ensinar-nos a sabedoria.

Deus deu-nos milagres em nossos corações e vidas, coisas pequenas que acontecem no dia a dia, para nos lembrar que estamos vivos.

Deus deu-nos a habilidade de enfrentar cada novo dia com coragem, sabedoria, e um sorriso de saber.

Saber que seja o que tivermos que enfrentar é mais fácil com Deus habitando em nossos corações.

Sobretudo, Deus deu-nos amigos para ensinar-nos sobre o amor e para guiar-- nos através deste mundo, e Ele está sempre disponível para ajudar-nos para uma compreensão maior e compartilhar e dar mais amor.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

PSICOLOGIA - 1959 X 2011


Veja como foi que começamos a criar monstrinhos...

Cenário 1: João não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.

1959: É mandado à sala da diretoria, fica parado esperando 1 hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e volta tranquilo à classe. 
2011: É mandado ao departamento de psiquiatria, o diagnosticam como hiperativo, com transtornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD, o psiquiatra lhe receita Rivotril. Se transforma num Zumbí. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz. 

Cenário 2: Luis quebra o farol de um carro no seu bairro.

1959: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas no traseiro... A Luis nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada", cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num profissional de sucesso.
2011: Prendem o pai de Luis por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos deve abster-se de ver seu filho. Sem o guia de uma figura paterna, Luis se volta para a droga, delinque e fica preso num presídio especial para adolescentes. 

Cenário 3: José cai enquanto corria no pátio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria, o encontra chorando e o abraça para confortá-lo...

1959: Rapidamente, João se sente melhor e continua brincando.
2011: A professora Maria é acusada de abuso sexual, condenada a três anos de reclusão. José passa cinco anos de terapia em terapia. Seus pais processam o colégio por negligência e a professora por danos psicológicos, ganhando os dois juízos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida... 

Cenário 4: Disciplina escolar

1959: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava umas boa "mijada" e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade.

2011: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com a culpa por fazê-lo . Nosso velho vai até o colégio se queixar do docente e para consolá-lo compra uma moto para o filhinho. 

Cenário 5: Horário de Verão.

1959:Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. Não acontece nada. 
2011: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite, nas mulheres aparece celulite. 

Cenário 6: Fim das férias.

1959: Depois de passar férias com toda a família enfiada num Gordini, após 15 dias de sol na praia, hora de voltar. No dia seguinte se trabalha e tudo bem.

2011: Depois de voltar de Cancún, numa viajem 'all inclusive', terminam as férias e a gente sofre da síndrome do abandono, pânico, ataque e seborreia... 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Blog de luto pelas crianças mortas no Rio de Janeiro


Estou muito triste hoje...

como educadora, supervisora pedagógica em exercício, não posso ignorar o fato lamentável que aconteceu com as crianças na escola do Rio de Janeiro. Como mãe de 6 filhos, igualmente considero insuportável a dor dos pais que perderam seus filhos e dos outros que agora terão que cuidar dos que sobreviveram com sequelas físicas e psicológicas.

Como cristã, não posso ignorar a dor dos pais desse jovem que aos 23 anos ceifou tantas vidas em seu ato tresloucado, e nem mesmo ignorar os conflitos vivenciados por ele para desencadear tamanha tragédia. Esse jovem é fruto de uma sociedade, uma sociedade na qual estamos inseridos eu e voce, e cada um de nós temos nossa parcela nisso tudo. 

Será que temos feito realmente tudo o que podemos pelo outro? 

Será que estamos educando para a paz, para a fraternidade, para a dignidade e para a vida?

Deixo registrado aqui minha dor, não considero que isso tenha acontecido gratuitamente, tudo tem um propósito debaixo dos céus, talvez seja um grande chacolhão para que cada um de nós desperte para o amor, para que outros jovens não cometam tamanha loucura, para que outras vidas sejam poupadas.

Desejo que Deus esteja sempre conosco, nos iluminando, nos guiando pelas veredas do bem e do amor fraterno. Que assim seja!

domingo, 3 de abril de 2011

Violência Doméstica


I. A Violência Doméstica

A violência doméstica não é um problema recente ou trivial nos Estados Unidos. Até metade dos casamentos envolve violência física em determinado momento, aproximadamente um quinto dos homicídios ocorre dentro da família e na metade desses um cônjuge mata o outro.

A. As mulheres são agredidas ou mortas por violência doméstica com muito mais freqüência do que os homens. Até 25% das mulheres adultas sofrem agressão física perpetrada por seus companheiros do sexo masculino, e até 40% das vítimas de homicídio do sexo feminino são mortas por seus maridos. Resumidamente, uma mulher é espancada por seu marido a cada 7,4 segundos naquele país.

B. Pouco foi documentado a respeito de violência entre casais do mesmo sexo ou a respeito de maridos espancados. Acredita-se que a prevalência dos últimos seja muito reduzida.

II. Apresentação

A. A violência doméstica produz enorme morbidade e corresponde a números significativos de hospitalizações e visitas ao setor de emergência. Dentre as mulheres que solicitam cuidados médicos, estima-se que o espancamento corresponda a mais episódios de contusões do que acidentes automobilísticos, assaltos e estupros somados.

B. Aproximadamente um terço das mulheres que comparecem ao setor de emergência, independentemente da queixa principal, sofre espancamento. A maioria das mulheres, porém, não apresenta lesões, mas sim problemas de clínica geral, de comportamento ou psiquiátricos. Mais provavelmente se queixarão de depressão, ansiedade e problemas conjugais, familiares ou sexuais. Daquelas que apresentam traumatismo físico, aproximadamente 40% estão sendo espancadas, e a grande maioria dessas mulheres continuará sofrendo agressões adicionais. Realmente, a violência geralmente cresce em intensidade e freqüência ao longo do tempo. As lesões têm maior probabilidade de ser axiais (ou seja, envolvem a face, os seios, o tórax e o abdômen).

III. Detecção

A. A detecção é pequena na ausência de um protocolo específico de entrevista ou de questionamento sistemático de todos os pacientes sobre violência familiar.

B. A maioria das mulheres reconhecerá o espancamento se for questionada, mas poucas fornecerão a informação de modo espontâneo. Freqüentemente têm vergonha da violência e sentem-se responsáveis por sua ocorrência e humilhadas por permanecerem em uma relação com um homem ou podem não associar a violência a seus sintomas. Outras mulheres podem evitar discutir a violência para não sentirem raiva homicida ou desespero suicida. Ainda outras podem anteriormente ter tentado discutir a violência, mas consideraram suas revelações inúteis, por terem sido execradas ou compelidas a ``esquecer e perdoar’’.

IV. Características das Mulheres Espancadas

A. As mulheres espancadas compõem um grupo heterogêneo, de todas as idades, classes sociais, classes econômicas, grupos étnicos e tipos de estado conjugal.

B. Apenas a viuvez reduz o risco de espancamento. Não há previsores de espancamento que sejam específicos quanto às vítimas.

C. Muitas, mas nem todas as mulheres com relações violentas foram criadas em lares violentos ou com maus-tratos e foram testemunhas de/ou sujeitas a agressões físicas ou sexuais, freqüentemente por pais ou substitutos do pai. Uma história de violência na infância pode ser um fator mais significativo da capacidade ou incapacidade de uma mulher deixar seu parceiro violento.

V. Características dos Espancadores

A. Os espancadores são um grupo demograficamente heterogêneo.

B. Freqüentemente são homens frágeis e carentes aterrorizados por suas necessidades de dependência e irados com suas esposas devido a qualquer sinal de autonomia. Em geral têm baixa auto-estima, inveja intensa de seus companheiros e uma necessidade de dominar ou controlar suas esposas.

C. Muitos são alcoolistas ou abusam de substâncias químicas e podem atribuir sua violência à desinibição, mas muitos também agridem suas esposas quando estão sóbrios.

D. Muitos homens espancadores sofreram violência física quando crianças, mas, de modo semelhante às mulheres que espancam, muitos não passaram por essa situação. O previsor mais poderoso é uma história de ter testemunhado durante a infância seus pais agredirem suas mães.

VI. Características da Relação Violenta

A. Fase inicial e evolução. Na maioria dos casos, a violência não começa imediatamente. Pode emergir após o casamento, durante uma gestação ou após o nascimento de um filho. Freqüentemente é racionalizada por ambos os parceiros como devida a algum estressor externo e considerada como improvável de acontecer novamente. Na maioria dos casos, porém, a violência volta a ocorrer e torna-se cíclica. Após uma fase de crescimento da tensão ocorre uma crise violenta e então um período de reconciliação.

B. Tipos de atos violentos. As ameaças e a violência freqüentemente são aterrorizadoras e com risco de vida, podendo envolver diversas armas, como punhos, pés, porretes, facas e armas de fogo. Algumas mulheres também são sexualmente atacadas e uma parte ou a totalidade da violência pode ocorrer na frente dos filhos do casal.

C. Dinâmica da relação espancador-vítima. A mulher freqüentemente é acusada por seu companheiro de ter ligações sexuais extramaritais (embora o homem cometa adultério com muito maior freqüência). A mulher é progressivamente impedida de qualquer relação ou atividade considerada como ameaçadora ao homem. Ela geralmente se torna a cada dia mais isolada dos amigos e da família, muitas vezes é incapaz ou proibida de dirigir, não tem controle sobre as finanças da família, pode não ter acesso a um telefone e pode ser proibida de trabalhar. A mulher comumente teme deixar a relação ou revelar a alguém a ocorrência da violência. Ela freqüentemente é ameaçada pelo espancador de morte, de perder seus filhos ou de suicídio do espancador, caso ela faça qualquer movimento para deixá-lo. Durante os períodos de reconciliação, o espancador freqüentemente tem remorsos intensos em relação a sua companheira, que pode, por sua vez, sentir pena dele. Nessa situação, sentindo-se esperançosa quanto ao futuro, a mulher pode considerar particularmente difícil deixar a relação.

D. Por que as mulheres permanecem em relações violentas

1. A mulher espancada pode ser aprisionada economicamente e não ter outras opções para moradia, alimentação ou sustento dos filhos.

2. Muitas mulheres culpam-se pela violência e podem permanecer na relação convictas de que podem remediar o problema através de esforços mais intensos para satisfazer as necessidades de seu parceiro.

3. Para outras mulheres, a violência pode ser algo habitual: isto é, algo que ela espera como o preço de uma relação com um homem.

4. Ela pode estar muito assustada para ir embora. Muitas mulheres tentaram partir, encontrando apenas apoio legal, médico ou social inadequado. Com freqüência, deixar a relação não interrompe a violência, mas pode aumentá-la.

VII. Conseqüências do Espancamento

Como resultado de espancamento crônico, a maioria das mulheres, independentemente de sua estrutura psicológica anterior ao espancamento, passa a se ver como inútil, incompetente e incapaz de ser amada. Muitas vivem em um estado de estresse crônico semelhante àquele sentido por soldados em combate e demonstram sintomas de distúrbio de estresse pós-traumático, com períodos de hipervigília alternados com episódios de entorpecimento psíquico, isolamento e apatia. A incidência de depressão é elevada, há tentativas de suicídio, que ocorrem em até 50% das mulheres espancadas. Muitas abusam de álcool ou outras substâncias, uma reação considerada como altamente secundária ao espancamento. Uma minoria pode parecer psicótica.

VIII. Avaliação

A. Considerações gerais. Todos os pacientes devem ser questionados sobre violência doméstica como rotina em sua anamnese, mas o grau de suspeita deve ser elevado para mulheres que apresentam lesões incomuns ou traumatismos repetidos e explicações improváveis para suas lesões. Essas pacientes freqüentemente parecem ficar na defensiva ou evasivas quando questionadas sobre o companheiro.

O comparecimento ao setor de emergência de uma mulher espancada pode sinalizar um risco elevado de agressão perpetrada por seu parceiro, em relação aos filhos ou contra si mesma. Deve ser dada atenção à sensação subjetiva da paciente, e não apenas à gravidade de suas lesões ou sintomas físicos.

B. A entrevista. O médico precisa de tempo, disponibilidade de escuta e tato. A mulher deve ser entrevistada sozinha e deve-se solicitar diplomaticamente aos familiares que deixem a sala.

C. Avaliação de emergência. Uma avaliação de urgência deve incluir:

1. Um exame físico completo com documentação detalhada dos achados, o qual deve incluir fotografias, se possível, pois o registro médico pode ser necessário em um processo judicial. O médico deve registrar detalhadamente a história da paciente sem reduzi-la ou julgar sua veracidade.

2. Uma avaliação psiquiátrica cuidadosa, com atenção particular a evidências de distúrbio de estresse pós-traumático, depressão, tendência a suicídio, abuso de álcool ou drogas e ideação homicida.

3. Avaliação da capacidade de lidar com a violência da mulher. Como ela lidou com a violência no passado? Ela já contou a alguém? Qual foi o resultado? Ela buscou recursos legais? Ela já fez planos de ir embora? Ela é útil em casa e no trabalho? Houve alterações recentes do comportamento ou estado psíquico?

4. Avaliação dos apoios sociais. Ela tem amigos, acesso a automóvel, pode usar telefone, tem mobilidade? Em quem ela pode confiar ou trocar confidências? Há evidências de isolamento?

5. Avaliação do risco atual. O espancador é patologicamente ciumento? Houve uma escalada na violência ou ameaças de matar a paciente? Há uma arma na casa? O espancador é dependente químico?

6. Avaliação de risco para crianças. Há crianças na casa? Caso a esposa esteja sofrendo violência, há uma chance de 50% de as crianças também estarem sendo agredidas.

IX. Tratamento

A. Distúrbios psiquiátricos primários devem ser tratados. Conforme descrição abaixo, algumas alterações da abordagem habitual (isto é, a esses distúrbios) são necessárias.

1. O médico pode necessitar hospitalizar uma mulher espancada com maior rapidez do que um paciente não espancado, deprimido ou suicida. Não se pode utilizar a família como recurso na monitoração de sintomas, supervisão de medicação e restrição de comportamento autodestrutivo. Isto também é válido para pacientes dependentes químicos.

2. O médico deve ser cauteloso com prescrições, pesar os riscos de abuso, dose excessiva e embotamento do estado de vigília da paciente.

3. De modo ideal, deve ser planejado um acompanhamento freqüente, mas a paciente pode não ser capaz de segui-lo. Ela pode estar muito amedrontada, muito aprisionada ou não estar pronta para abordar a violência.

4. O médico não deve tentar qualquer forma de terapia de casal em uma situação de emergência. Isto pode colocar a mulher em maior situação de risco quando o casal deixar o ambulatório.

B. Devem ser feitos todos os esforços para compreender a atitude da paciente dentro do contexto. Ela pode suspeitar do médico, pode manter sigilo ou querer proteger seu agressor e, apesar das recomendações médicas, não estar pronta para deixar seu companheiro. Ela pode ser relutante em aceitar a oferta de ajuda do médico no momento, mas se o encontro foi positivo e ela se sentiu compreendida e tratada com respeito, há maior probabilidade de retornar posteriormente ou buscar outros recursos.

C. O médico deve familiarizar-se com os recursos hospitalares e comunitários para mulheres espancadas e informar a paciente das opções que ela tem. Estas devem incluir encaminhamento para:

1. Abrigos para mulheres espancadas.

2. Abrigos de segurança.

3. Linhas telefônicas ativas durante 24 horas.

4. Um advogado para mulheres espancadas.

5. Nos EUA, a Coligação Nacional Contra a Violência Doméstica pode fornecer encaminhamentos para programas estaduais e locais e outras informações úteis (1-800-333-SAFE).

D. O médico deve planejar e antecipar com a paciente como ela conseguirá ajuda quando a violência emergir novamente. Deve-se questionar a paciente se gostaria de processar legalmente seu espancador ou ela conseguir uma ordem de prisão e então ser encaminhada à autoridade legal adequada. A maioria dos abrigos conhece advogados que podem ajudar a aconselhar ou representar a paciente.

E. O médico também pode precisar notificar o setor estadual de serviços sociais adequado e a equipe hospitalar de proteção à criança se houver razão de suspeita de violência contra ela.

X. Resistências do Médico

A. Muitos médicos relutam em perguntar a respeito de maus-tratos ou de histórias de violência por diversas razões, incluindo:

1. Medo de ofender a paciente.

2. Considerar a mulher espancada como masoquista.

3. Suposição de que uma situação socioeconômica elevada exclui espancamentos.

4. Suposição de que a pobreza reduz a probabilidade de continuidade do tratamento.

B. Algumas dessas resistências nascem da falta de conhecimento a respeito da prevalência de violência doméstica em todos os níveis sociais e da heterogeneidade das vítimas de violência. Outras resistências derivam das reações freqüentemente inconscientes dos médicos em relação às vítimas. Estas incluem a sensação de impotência, temor de contaminação, ou ansiedade quanto à raiva que a violência com freqüência desencadeia. Tentativas de se afastar da vítima podem prejudicar a paciente. Suas queixas podem ser desprezadas ou consideradas como fora do contexto, ela pode ser responsabilizada e punida com medicação ineficaz ou pode ter um planejamento inadequado para acompanhamento ou medidas de segurança.

Leituras Sugeridas

Carmen, E., and Rieker, P.P psycosocial model of the victim-to-patient process: Implications for treatment. Psychiatr. Clin. Noth Am. 12:431, 1989.

Dickstein, L. J., and Nadelson, C. C. Family Violence: Emerging Issues of a National Crisis. Washington, D.C.: American Psychiatric Association Press, 1989.

Hiberman, E. The "wife-beater's wife" reconsidered. Am. J. Psychiatry 137:1336, 1980.

McLeer, S. V., and Anwar, R. A. H. The role of emergency physician in the prevention of domestic violence. Ann. Emerg. Med. 16:1155, 1987.

McLeer, S. V., et al. Education is not enough: A system's failure in protecting battered women. Ann. Emerg. Med. 18:651, 1989.

A evolução da educação de Matemática de 1950 aos dias atuais...



A Evolução da Educação:



Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia... Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática: 

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim: 

1. Ensino de matemática em 1950: 

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.  Qual é o lucro? 

2. Ensino de matemática em 1970: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro? 

3. Ensino de matemática em 1980: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.  O custo de produção é R$ 80,00. 
Qual é o lucro? 

4. Ensino de matemática em 1990: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. 
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00 

5. Ensino de matemática em 2000: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. 
O lucro é de R$ 20,00. Está certo? 

( )SIM ( ) NÃO 

6. Ensino de matemática em 2009: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00 

7. A partir de 2010 vai ser assim: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00. 
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00 

Realmente a educação caminha a passos largos para o caos. Precisamos repensar nossa prática pedagógica antes que nossos alunos cheguem ao fundo do poço sem conhecer absolutamente nada.

“Todo mundo está 'pensando' 
em deixar um planeta melhor para nossos filhos... 
Quando é que se 'pensará'
em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Mundial de Conscientização do Autismo



Neste sábado, 2 de abril, foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data criada em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para alertar a população sobre o assunto. Várias ações estão programadas, como a iluminação de prédios e monumentos de azul. Em São Paulo, estarão iluminados o Monumento às Bandeiras, o Viaduto do Chá e a Assembleia Legislativa; no Rio, o Cristo Redentor; em Brasília, o Congresso Nacional; e em Manaus, o Teatro Amazonas. Além disso, a Defensoria Pública de São Paulo lança a cartilha "Direitos das Pessoas com Autismo", com informações sobre sintomas, diagnóstico e tratamento.

No Brasil, o autismo atinge cerca de dois milhões de pessoas e no mundo, segundo dados da ONU, já são 70 milhões. Segundo a psicóloga Fátima Cavalcanti, doutora em Saúde Pública, professora do mestrado em 'Psicanálise, Saúde e Sociedade' e coordenadora do Laboratório de Práticas Sociais Integradas da Universidade Veiga de Almeida (UVA), o autismo é um espectro de desordens que têm em comum o isolamento, o prejuízo à interação social e a dificuldade de imaginação, além do não contato visual. Como ainda não se descobriu a causa (acredita-se que sejam múltiplas), a chave do problema estaria na atitude da família que enfrenta um caso de autismo. Leia abaixo trechos da entrevista com a psicóloga:

Em que um dia de conscientização ajuda o autismo?

O autismo ainda é um desconhecido e gera perplexidade, porque o autista tem um comportamento diferente, uma dificuldade de socialização. Hoje, com o diagnóstico precoce, a sofisticação dos tratamentos e o melhor preparo das escolas, há casos de autistas fazendo faculdade. Um dia de conscientização ajuda a entender e a falar sobre isso.

O que os pais podem observar a fim de chegar a um diagnóstico precoce?

Um bebê que não se acomoda no colo, não olha no olho e tem dificuldade de aprendizado - porque o bebê aprende com o olhar da mãe - deve ser observado. A linguagem também é difícil porque o autista tem uma linguagem literal, direta e concreta, é uma troca difícil, já que nossa linguagem é muito metafórica.

Qual é o caminho para o tratamento correto, já que há tantas opções?

Nem a Ciência chegou a um consenso sobre o autismo, as famílias ficam confusas com tantas informações e se tornam grandes estudiosas do assunto. O primeiro passo é passar pelo luto do filho idealizado que é muito difícil. Depois, é olhar pra frente, enxergar as qualidades, os limites e lidar com esse filho real, contando com a ajuda de uma equipe que trabalhe de forma integrada, hierarquizando os tratamentos. Em geral, observo que a família se reinventa. Mesmo quem nunca teve que lidar com um filho autista, já passou por dificuldades e qualquer deficiência é uma situação limite que desafia o ser humano a ser melhor.