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sábado, 12 de março de 2011

Inclusão de Crianças e Jovens com Transtornos Globais do Desenvolvimento na Comunidade

A partir da implantação de programas de inclusão em contextos escolares surge também a necessidade de implantá-la ou estendê-la alem do contexto escolar, para um contexto que é fundamental para o desenvolvimento não só de crianças e jovens com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), mas também para toda e qualquer criança e jovem.

No entanto, as oportunidades de inclusão em atividades da comunidade ou em atividades recreativas são limitadas. Frequentemente crianças e jovens com TGD podem realizar atividades elaboradas de acordo com suas necessidades em ambientes específicos, à parte de seus colegas normotípicos. Já as opções de inclusão deles em atividades recreativas na comunidade são um tanto quanto limitadas.

Além das especificidades dos TGD, a diversidade cultural, mais especificamente a das minorias, afeta a inclusão de crianças e jovens com autismo nas atividades de recreação realizadas na comunidade. Pessoas com comprometimentos que também fazem parte de grupos de minorias sociais têm uma combinação de necessidades relacionadas à cultura e ao seu comprometimento.

O objetivo do artigo em questão teve dois propósitos:

  1. Descrever a importância das oportunidades de recreação para crianças e jovens com TGD e outros comprometimentos do desenvolvimento e relatar as experiências bem sucedidas de inclusão no programa de recreação na comunidade;
  2. Discutir alguns aspectos que levam e/ou levariam os membros de grupos de minoria social a não considerarem o programa inclusivo e as recomendações para a implantação de práticas sensíveis a sutilezas socioculturais.
A literatura relata que experiências de brincar entre crianças com autismo e seus colegas normotípicos propicia efeitos benéficos. Quando as crianças com autismo e outros transtornos do desenvolvimento realizaram atividades [brincadeiras] de diferentes níveis, conseguiram brincar ou realizar atividades recreativas um pouco mais complexas com seus colegas normotípicos.

Cada vez são mais comuns os programas de interação entre adultos, crianças e jovens com TGD e colegas normotípicos. Alguns estudos apoiam a inclusão destas pessoas em aulas de educação física desde que com a presença de profissionais com o conhecimento e o posicionamento estratégico necessário para atender às necessidades de pessoas com TGD. A inclusão dos indivíduos com TGD também é muito beneficiada pela adaptação de algumas atividades recreativas.

Os autores elaboraram um programa pioneiro de parceria para dar assistência às crianças e jovens com TGD em atividades de recreação na comunidade, que não seria acessível a eles sem o apoio especializado. Com base nos dados em relação às necessidades de adaptação de indivíduos com TGD, foram convocados instrutores de atividades especialmente treinados.

Foram contatadas agências de recreação em três comunidades estadunidenses?Midland, Bay City e Saginaw?para propor parcerias de organização de programas especiais para as famílias dos participantes com TGD e outros comprometimentos do desenvolvimento. Os administradores das três agências se mostraram receptivos:

a)      A ideia de ter crianças com comprometimentos no desenvolvimento participando pela primeira vez em muitos dos programas oferecidos por eles; e

b)      A inclusão de instrutores de atividades na experiência.

 As agências ofereciam atividades esportivas, artísticas ou ambas com uma agenda de no mínimo quatro sessões.

Para que esta oportunidade chegasse ao conhecimento dos pais, as informações relacionadas ao programa foram veiculadas através de jornais locais, canais de televisão aberta e diretores de escolas de ou com educação especial que distribuíram informações aos pais e também através da publicidade pela universidade. As agências também ajustaram o valor dos programas de acordo com as necessidades de determinados pais.

Cabe aqui uma observação relacionada à divulgação:         

Grupos culturais e étnicos têm necessidades diferentes que precisam ser consideradas na preparação dos serviços. A probabilidade de participação nos programas propostos pode ser influenciada pelas preferências culturais da família no que concerne ao local e atividades, crenças em relação a comprometimentos/deficiência, preocupação em receber serviços de estranhos, envolvimento com a família estendida, procedimentos para tomada de decisão e formas aceitáveis de comunicação.

Os pais comunicaram via telefone ou carta as características da criança ou jovem e o horário da atividade escolhida; combinaram-se os instrutores de atividade com o máximo de famílias possível. Depois disso, os pais registram seus filhos para a atividade. Os instrutores de atividades foram treinados para as adaptações necessárias nos ambientes de recreação. Antes do início da atividade estes instrutores se encontravam com os pais da criança ou jovem para planejar adaptações específicas. Os instrutores de atividades ao longo das sessões mantiveram um diário que juntamente com levantamentos e questionários foram utilizados para avaliar os programas.
Os instrutores de atividades tiveram de ser particularmente conscientizados das sensibilidades e estilos de comunicação dos participantes com TGD e preparados para diversas estratégias.

A amostra final de participantes foi de seis crianças [uma menina e cinco meninos] com idades entre seis e 13 anos. Todos os participantes eram de famílias dos três locais mencionados; e, embora o programa estivesse aberto a qualquer criança que precisasse de assistência, cinco das seis crianças tinham TGD [uma criança além de ter autismo também tinha comprometimento auditivo e outra tinha um comprometimento de saúde além do autismo] e uma criança precisou de acomodações ambientais para nanismo. Todas as famílias optaram por colocar seus filhos em aulas de natação ou ginástica. Dos instrutores de atividades, três eram alunos de terapia ocupacional e três alunos de educação especial; dois eram do gênero masculino e quatro do feminino.
Aulas de Natação: Para ajudar crianças a participarem nas aulas de natação, os instrutores de atividades eram instrutores de natação qualificados. Inicialmente passaram um tempo avaliando quais habilidades que eram pré requisito que as crianças já tinham, bem como quais as atividades sensoriais eram desagradáveis  para a criança (por exemplo, molhar o rosto ou orelhas, ficar de pé com toda a sola do pé na água, boiar de bruços ou de costas e etc.).  Os instrutores de atividades também ensinaram habilidades que eram pré-requisito ou informação específica, como perceber quando a água está ficando muito profunda. Cada aluno seguiu em seu próprio passo e precisou diferentes níveis de adaptação.

Aulas de GinásticaCom a ajuda de instrutores e instrutores de atividade, todos os alunos de ginástica participaram das atividades programadas para suas sessões de aula. Os instrutores mostraram estar abertos a sugestões e ideias apresentadas pelos instrutores de atividades nas aulas. Em contraste aos instrutores de natação, os instrutores de ginástica interagiram com os alunos com comprometimentos, os encorajaram e fizeram todo o esforço para incluí-los nas atividades.

O sucesso da experiência foi determinado por diversos aspectos: a frequência da criança, a participação em nível adequado, sua satisfação em participar da atividade; também na utilização das experiências relatadas pelos instrutores de atividades através de seus diários e na informação obtida através dos questionários de levantamento. Os pais forneceram opiniões que foram muito úteis e suas respostas aos questionários, embora restritas, foram positivas.
Os instrutores de atividades anotaram algumas dificuldades dentre elas: aprender a se comunicar com crianças que não utilizam verbalização padrão e tentar trabalhar com instrutores que estavam desinformados em relação aos comprometimentos. Alguns pontos positivos foram: interação positiva entre as crianças e os instrutores de atividades, e pedidos por parte das crianças para serem assistidas através do toque, linguagem corporal, expressões faciais e verbalização.
Alguns pontos a serem melhorados em futuras pesquisas seriam:
  • Aprimorar e prolongar o treinamento dos instrutores de atividades;
  • Informar as agências de recreação bem como seus instrutores com antecedência em relação às especificidades das crianças e jovens a serem atendidos e incluídos;
  • Melhorar a comunicação com os grupos de minoria social, levando em consideração as características e necessidades de cada grupo (o idioma que falam, por exemplo) e também utilizar meios de comunicação mais relevantes para eles, como anúncios em instituições religiosas, organizações étnicas ou visitas expositivas às comunidades.
  • Adequar as condições em que as atividades de recreação são oferecidas, por exemplo algumas famílias acham as atividades de recreação com estranhos irrelevantes e crêem que a criança passar seu tempo com membros da família imediata e estendida seja bem mais eficiente. Portanto, pensar em incluir os parentes de tais indivíduos nos programas ou elaborar programas intrafamiliares seria interessante.
Este programa de atividades recreativas para crianças e jovens com TGD e outros transtornos do desenvolvimento mesmo com alterações e aperfeiçoamentos que se fazem necessários vale a pena. As crianças que participaram do programa se divertiram nas aulas sendo incluídos ou não, elas interagiram com seus colegas normotípicos e participaram das aulas a seu próprio nível. A ideia a ser transmitida aqui é de que a inclusão?através da comunidade de recreação, a comunidade da educação e a família?pode ser estendida para além do âmbito escolar.

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