Mensagem do dia

Estude! Saber é o maior diferencial que existe!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Páscoa: celebrando a libertação



     Para compreender Jesus e seu mistério, em particular o mistério pascal, é necessário mergulhá-lo em suas raízes. Ele faz parte de uma história e de uma cultura, sem as quais fica incompreensível. Buscando, pois, compreender para melhor celebrar a Páscoa Cristã, vamos considerar a Páscoa Hebraica e seus elementos mais significativos.

     Na Bíblia, o Antigo Testamento descreve a Páscoa em Ex 12, 1-20 e, depois, no Dt 16,1-8. O primeiro texto, mais conhecido, é tradicionalmente usado como memória histórica da primeira páscoa, quando os Israelitas foram libertados do Egito. Porém, analisando mais detalhadamente o texto, descobre-se que ele tem caráter mais litúrgico e celebrativo do que histórico. Sua intenção não é descrever como aconteceu a libertação do Egito, mas como os Israelitas celebravam, posteriormente, a memória deste acontecimento.

Celebrar a vida

     Os hebreus celebravam a memória da libertação do Egito com uma festa que iniciava com a ceia do cordeiro pascal, seguia com os ázimos, durante oito dias, e se encerrava com o terceiro cálice de vinho. A festa do cordeiro e a dos ázimos aqui aparecem juntas, mas primitivamente eram celebrações distintas. O cordeiro era celebrado pelos pastores nômades, na primavera, quando precisavam migrar com seus rebanhos. Sacrificavam um cordeiro no altar da divindade protetora dos animais e pintavam o beiral das portas com seu sangue, pois acreditavam que o sangue tinha força de esconjurar os seres maléficos que atacavam os animais e matavam os filhotes.

     Os ázimos, também celebrada na primavera, era festa de ambiente agrícola. Consistia no uso de pão sem fermento, durante uma semana, e na oferta de produtos das primeiras colheitas, no templo local.

     Estas duas festas, com o passar do tempo, foram unidas, passando a ter um sentido diferente do original. Celebravam a memória da libertação do Egito, a Páscoa de Israel, que culminava com a Aliança do Sinai, onde Deus assumiu Israel como “propriedade predileta”, “povo sacerdotal”, e “nação santa” (Ex 19,6). A Aliança do Sinai, que também manifesta a vontade de Deus através dos mandamentos e das leis, foi novamente selada com o sangue. Este sangue não só de cordeiro, mas dos animais sacrificados, em parte derramado ao redor do altar, em parte aspergido sobre o povo, aqui simboliza a vida e o compromisso de fidelidade.

     Celebrava-se a Páscoa Hebraica como um memorial, uma lembrança do passado, um monumento que vinha recordando perpetuamente a ação de Deus em favor do povo oprimido no Egito. Também como atualização do compromisso da aliança. Deus faz aliança com o povo, em cada geração, mantém-se fiel e espera que o povo cumpra fielmente os mandamentos. Como futuro escatológico, a celebração da páscoa mantém viva a esperança do messias, enviado por Deus para a libertação definitiva. A promessa do messias é feita a Adão e Eva, quando Deus disse: “porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela”. 

Jesus Cristo - a Páscoa Cristã

     O acontecimento que vem dar sentido de realidade plena e definitiva ao acontecimento antigo da libertação do Egito e da aliança é o próprio Cristo. Nele se cumpre o que vinha sendo preparado desde tempos remotos, no Antigo Testamento.

     Cristo realiza a Páscoa como passagem, pois, por sua morte e ressurreição, passa deste mundo para o Pai e abre as portas da salvação para todas as pessoas poderem realizar sua Páscoa. Ele se apresenta como verdadeiro cordeiro pascal e sua morte na cruz realiza o sacrifício pascal definitivo. Na última ceia, Jesus deu seu corpo, oferecido como sacrifício: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”. E disse ainda: “Fazei isto em memória de mim”. Seu sacrifício, como verdadeiro cordeiro pascal, deveria ser celebrado como memória perpétua e definitiva.

     Ao entregar o cálice para os discípulos, disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”. A nova aliança selada por Cristo, no seu sangue, consagra não somente um povo, mas todos aqueles que recebem o batismo e se propõem a cumprir a vontade de Deus, seguindo de perto os passos do mestre, dando a vida pelo bem dos irmãos.

Vítor Edézio Borges, 
padre missionário Redentorista, Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico: edezio@excite.com

Nenhum comentário: