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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu sou uma boa pessoa?



Entre a leitura do título e dessa primeira linha, o leitor já teve tempo de responder: “Sim, é claro que sou uma boa pessoa”. Mas a dúvida ainda persiste, pois ainda não foi ver outros artigos desse site. Após pensarmos que somos de fato “boa gente”, temos a tendência de nos justificarmos mentalmente, dar razões: “Eu gosto de animais” ou “Se eu pudesse acabar com a fome no mundo...”. Todas essas razões não são propriamente racionais. Explico-me. São sentimentos. Bons sentimentos, é claro, mas não é o sentimento que faz alguém ser bom.

Os sentimentos são paisagens da alma. Informam-nos se o tempo dentro de nós está com nuvens ou ensolarado mas, com freqüência, não têm tanta relevância nas nossas decisões do cotidiano. Na nossa sociedade está disseminada a idéia de que é o sentimento que conta. Claro que os sentimentos são importantes na nossa vida, pois atesta um problema psicológico responder com maus sentimentos às boas coisas que nos acontecem. O problema é que os sentimentos passam, o que mostra o nosso pouco controle sobre eles. Podemos acordar de mau humor sem motivo algum, podemos acordar com dor de cabeça e ver o mundo como uma dor de cabeça e assim por diante. Para serem benéficos, os sentimentos precisam ser pensados. Foi o que fizemos no início desse artigo. À pergunta “sou uma boa pessoa?”, vimos que a resposta foi afirmativa. Mas isso não passou de uma sensação, um certo sentimento de benevolência para conosco. Como seres racionais que somos, vimos que precisamos justificar os motivos de termos esse juízo a nosso respeito.

O problema é que comumente buscamos a razão onde ela não está. O fato de uma pessoa gostar ou não de cachorros não determina se ela é uma boa pessoa. Se é cruel com animais, é um mau indício, claro. O que torna uma pessoa boa são as suas ações que a fazem ser o que a ética clássica chamava virtuoso, que é pessoa boa por excelência, pois pratica atos bons. Em Ética a Nicômacos , diz o filósofo Aristóteles: “Não será pequena a diferença se formarmos os hábitos de uma maneira ou de outra desde nossa infância; ao contrário, ela será muito grande, ou melhor, ela será decisiva” (1103b). A virtude não deixa de lado os sentimentos, não é “insensível”, mas os dirige para o fim que escolhemos para a nossa vida. Ser virtuoso e sensível, portanto, é plenamente compatível. Ser bom, portanto, é o mesmo que ser virtuoso, que é o mesmo que ser feliz. Por quê? Porque a pessoa virtuosa é aquele que tem domínio de si e não se deixa arrastar pelos ventos do instante, mas constrói a sua personalidade sobre a rocha do caráter.